Trabalho de restauração do Museu do Carvão preserva memória da mineração no Estado
Documentos da instituição atingidos por enchente histórica foram recuperados com técnica inovadora de congelamento
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Por CARLOS HAMMES/ASCOM SEDAC
O Museu Estadual do Carvão, em Arroio dos Ratos (RS), passa por processo de restauração para preservar a memória da mineração no Estado. Em obras desde 2019, a instituição da Secretaria da Cultura (Sedac) foi atingida pela enchente de 2024, o que levou à intensificação dos trabalhos de recuperação da estrutura física e exigiu atenção ao acervo. Mais de 650 caixas de documentos históricos e 100 maços de documentos de grandes dimensões do arquivo passaram por processo de desinfecção com técnica inovadora de congelamento. Sem fechar ao público, a instituição prevê a conclusão das etapas de reconstrução da rede elétrica e hidrossanitária, restauro de rebocos, pintura, pisos, esquadrias e revisão da subestação de energia até o fim de 2026.
A partir de 2019, com R$ 2,5 milhões do programa Avançar na Cultura, foram iniciadas obras de restauro e requalificação das estruturas. Após a enchente, o museu recebeu R$ 5,3 milhões em recursos emergenciais do Banrisul, que possibilitaram a criação de um laboratório de restauração de documentos na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), a recuperação de parte do acervo tridimensional e a segunda fase das obras físicas das edificações, além do projeto para a construção de uma nova reserva técnica.
Outros R$ 3,9 milhões do Fundo de Recuperação do Estado (Funrigs) estão sendo aplicados em novas etapas, como a recuperação do cercamento do parque, o restauro do pavilhão, a recuperação de acervos fotográficos e tridimensionais e o projeto executivo de estabilização das ruínas da antiga termoelétrica. De acordo com o diretor do Departamento de Memória e Patrimônio (DMP) da Sedac, Eduardo Hahn, o esforço coordenado pelo governo do Estado “valoriza o legado econômico e cultural da exploração do carvão, garantindo que a história da mineração continue acessível para gerações futuras”.
O Museu está aberto à visitação de segunda-feira a domingo, das 8h30 às 18h. Não há necessidade de agendamento.
Sobre o Museu
O Museu Estadual do Carvão foi criado em 31 de março de 1986 para preservar a história da exploração do carvão e a história dos mineiros. Possui uma área de aproximadamente 10 hectares. Considerado uma referência do patrimônio histórico e cultural da Região Carbonífera do Rio Grande do Sul, a instituição guarda um importante acervo museológico e arquivístico, que registra a história da mineração carbonífera do Estado — ferramentas e utensílios de extração mineral, peças em porcelana para eletricidade, tijolos refratários vindos da Europa, fotografias, livros, mapas, entre outros objetos, documentos, além das ruínas do antigo “Poço 1”, inaugurado em 1908, e das galerias da Termelétrica.
No complexo, funcionou a primeira Usina Termelétrica do Brasil, de 1924 a 1956, construída pela Companhia Estrada de Ferro e Minas de São Jerônimo (CEFSMJ). O local funciona como um centro cultural de promoção de diferentes linguagens culturais, propondo ações educativas com as escolas, especialmente sobre o tema preservação, estimulando o sentimento de apropriação e de pertencimento.
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